“Por que tantas vezes preferimos pessoas que nos desiludem àquela que somente nos oferece uma ilusão?”
Esse questionamento é do narrador para seu companheiro de viagem, o adolescente do asteróide B-612, da obra “ O retorno do Jovem Príncipe”.
E putz que perguntinha difícil de responder não é? Confesso que ainda não consigo entender o motivo. E pensando nisso, surgiram mais questões. As primeiras são: A pessoa que nos desiludiu, fez isso sozinha? Ou ajudamos ela a nos enganar?
Vou começar falando de “amores imperfeitos”. O fulano deu um pontapé na bunda da fulana (dramalhão mexicano quando acontece conosco, né?). Será que só o fulano tem culpa nessa história? Quem sabe a fulana não decepcionou ele ou os sonhos dele não caminhavam com ela?
No caso de paixões platônicas (nossa, eu já tive, tenho e terei muitas), até que parte esse “romance” é a fulana que está destruindo? Ou o fulano que está “derretido” por ela, acha que pode almejar uma história de amor que ela nunca pensou ter?
E nesses dois casos ficamos “cegos”, pois, ficamos fascinados por alguém que tem um sonho diferente do nosso. Sonhos devem ser sempre individuais, pois, nesses casos citados dependem de outra pessoa e 50% não é sonho completo. E quantas vezes estamos também não estamos destruindo o sonho de alguém por acreditar fielmente e cegamente que somente a nossa verdade é a correta?
Sonhos individuais devem sempre ser encorajados. “Você pode entrar na faculdade”; “Você pode comprar o carro/casa”; “Você consegue ser reconhecido na sua profissão”. Entre outros tantos exemplos que dependem apenas de dedicação pessoal.
Já os outros sonhos que dependem de outras pessoas, como: “Você vai casar com o fulano”; “Você vai conseguir o emprego”; “Você vai conquistar a fulana”. Estes devem sim também serem incentivados, mas, deixando o aconselhado ciente que não depende apenas dele e que o não também significa que a “culpa” não é somente de quem o diz ou da situação. “Você está colocando o problema para fora de você e culpando outra pessoa pela situação, o que é uma ótima maneira de não resolver o assunto’ (Roemmers).
A pessoa que nos oferece a ilusão está somente querendo completar (ou ao menos está tentando fazer algo de bom). A que nos desiludiu prefere outro sonho. E de que lado iremos ficar? Usando uma metáfora nojenta (e para alguns muito nojenta), mas que acho muito engraçada e verdadeira “Amar sem ser amado é como limpar o cu sem ter cagado”. Até que ponto vamos desperdiçar papel e tempo? Ah e se perdermos tempo limpando, só não devemos esquecer de lavar bem as mãos para poder apertar a mão de outra pessoa.
Música para ouvir- O Vento Los Hermanos
Como pode alguém sonhar o que é impossível saber? Não te dizer o que penso já é pensar em dizer. Isso eu vi o vento leva, não sei mais sinto que é como sonhar, que o esforço pra lembrar é vontade de esquecer"
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